Um registro multi-proxy de 1500 anos da dinâmica dos manguezais

Autores

Angela EC Torres; Marlon C França; Fernando A Borges da Silva; Jorge HA Morales; Marcelo CL Cohen; Luiz CR Pessenda; Kita Macario

Resumo

As mudanças climáticas e as variações do nível do mar tiveram um impacto significativo nos manguezais ao longo da costa brasileira durante o Holoceno. Este estudo se concentrou em compreender os fatores específicos que determinaram o estabelecimento e a expansão dos manguezais em um estuário subtropical do sul do Brasil: a Baía da Babitonga (Santa Catarina), bem como sua resposta às mudanças climáticas e às variações do nível do mar durante o final do Holoceno.

Metodologia e Descobertas Históricas (Últimos 1500 anos):

  • Abordagem Multi-Proxy: O estudo utilizou análises sedimentares, palinologia (pólen) e datação por radiocarbono (${}^{14}\text{C}$) para a reconstrução paleoambiental dos últimos 1500 anos cal AP.
  • Sucessão de Ecossistemas: Foram identificadas três associações de fácies, indicando uma sucessão progradacional (avanço) da costa, onde uma planície de maré se desenvolveu na margem do Canal Palmital.
    • Inicialmente, havia um ambiente de submaré arenosa.
    • A queda relativa do nível do mar facilitou o desenvolvimento de uma planície de maré, que atingiu a costa atual por volta de ±1286 anos cal AP.
  • Colonização do Manguezal: O pólen de Laguncularia racemosa (mangue-branco) foi identificado desde ±1390 anos cal AP, e Avicennia schaueriana (mangue-preto) estabeleceu-se na planície de maré a partir de ±1273 cal anos AP. O estabelecimento de Rhizophora mangle (mangue-vermelho), a espécie mais sensível ao frio, ocorreu apenas nas décadas mais recentes.

Conclusões:

  • A sucessão de manguezais observada foi provavelmente favorecida pelo aumento da temperatura durante o final do Holoceno, que causou uma migração do limite austral do manguezal na zona subtropical para latitudes mais altas.
  • A comparação com dados anteriores sugere que a colonização do manguezal na Baía da Babitonga foi um processo de migração gradual para áreas a montante do canal, controlado por condições adequadas de salinidade e substrato favorecidas pela queda relativa do nível do mar no Holoceno Tardio.
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