Autores
Marcelo C.L. Cohen, Neuza A. Fontes, Erika Rodrigues, Luiz C.R. Pessenda, Marlon Carlos França, Ed Garrett, Junghyung Ryu
Resumo
Globalmente, espera-se que os manguezais se expandam para latitudes subtropicais e altitudes mais elevadas devido ao aumento das temperaturas e do nível do mar nas próximas décadas. No entanto, a geomorfologia local e a urbanização costeira podem modular fortemente essas respostas.
Este estudo integra análises de sedimentos, palinomorfos e geoquímica com dados de sensoriamento remoto e geomorfologia para investigar a evolução e o futuro dos manguezais no sul do Brasil. Nossas descobertas mostram que:
- Os manguezais subtropicais, na base da região de estudo, foram mais extensos durante os períodos de alto nível do mar (Holoceno Médio).
- O declínio do nível relativo do mar (NRM) no Holoceno Superior causou a diminuição desses ecossistemas em latitudes mais ao sul.
- Desde o final da Pequena Idade do Gelo (LIA), o aumento do NRM e das temperaturas de inverno desencadeou a migração dos manguezais para o continente.
Projeção para o Antropoceno:
Os resultados indicam que a faixa de micromarés, a inclinação do terreno e a urbanização costeira limitarão significativamente a migração dos manguezais para o interior. Com as taxas projetadas de aumento do NRM, os manguezais estudados provavelmente encolherão consideravelmente entre 80 e 160 anos. A expansão para latitudes mais temperadas, esperada pelo aquecimento global, será, portanto, limitada pela relação entre a taxa de subida do NRM e a disponibilidade de espaço horizontal para acomodação.