Fórum “Manguezal: Patrimônio Vivo” discute futuro dos ecossistemas no Espírito Santo

Dr. Marlon Carlos França durante o Fórum “Manguezal: Patrimônio Vivo” discute futuro dos ecossistemas no Espírito Santo

ANCHIETA, ES — A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Papagaio, em Anchieta, foi palco do evento “Fórum Manguezal: Patrimônio Vivo”, que reuniu especialistas, autoridades e a comunidade para discutir a importância e as ameaças aos manguezais capixabas. O evento, realizado no dia 26 de agosto de 2025, abordou temas cruciais como as mudanças climáticas e o papel desses ecossistemas para o equilíbrio ambiental.

Um dos destaques do fórum foi a apresentação do professor Dr. Marlon C. França, do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) – Campus Piúma. Sua palestra, “Mudanças Climáticas e Seus Impactos nos Manguezais”, apresentou dados científicos sobre o aumento da temperatura e da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, além de anomalias climáticas recentes no litoral capixaba.

A apresentação de Dr. França está alinhada ao projeto “Vozes dos Manguezais de Guarapari (ES): Diagnóstico e Ações para a Proteção e Conscientização”, que ele coordena no IFES. Desenvolvido com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos e Florestais do Espírito Santo (Fundágua) e o Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funcitec), o projeto busca mapear e conscientizar a população sobre a importância dos manguezais, com o objetivo de proteger e restaurar esses ambientes.

O evento também reforçou a importância da Década do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), uma iniciativa global que visa unir governos, setor privado, cientistas e a sociedade civil para alcançar “o oceano que queremos” e “os ecossistemas saudáveis”. O professor França destacou a importância da Zona Econômica Exclusiva Brasileira nesse contexto, ressaltando o papel do Brasil na preservação marinha.

Durante a apresentação, o professor apresentou dados animadores sobre o crescimento dos manguezais na foz do Rio Benevente. No entanto, ressaltou a necessidade de estudos contínuos para o monitoramento da costa capixaba, reforçando que a proteção desses ecossistemas é um trabalho contínuo.

Fórum “Manguezal: Patrimônio Vivo” discute futuro dos ecossistemas no Espírito Santo

Entrevista com o Dr. Marlon Carlos França

Após sua apresentação, o professor Marlon França concedeu uma entrevista, aprofundando a discussão sobre os manguezais.

Qual a importância ecológica dos manguezais para o equilíbrio do planeta?

“Os manguezais são de extrema importância. Eles são conhecidos como ‘berçários da vida marinha’, pois oferecem o ambiente ideal para a reprodução de diversas espécies de peixes, crustáceos e moluscos. Além disso, são protetores naturais da costa, amortecendo o impacto de ondas e tempestades, o que previne a erosão. Por fim, e algo que tem sido cada vez mais estudado, eles funcionam como grandes sumidouros de carbono, absorvendo e armazenando muito mais CO² que outros ecossistemas, o que os torna aliados no combate às mudanças climáticas.”

Como os manguezais contribuem economicamente para as comunidades que vivem ao seu redor?

“A contribuição econômica é direta e vital. A pesca e o extrativismo de caranguejo, ostras e mariscos sustentam muitas famílias. Eles também promovem o turismo ecológico, atraindo visitantes interessados em atividades como passeios de barco e observação de aves. Proteger os manguezais é, portanto, proteger a subsistão e a economia local.”

Quais são as principais ameaças aos manguezais no Brasil e no mundo?

“As ameaças são múltiplas e complexas. A poluição é uma das maiores, especialmente pelo descarte inadequado de lixo e esgoto. O desmatamento para a criação de áreas de pasto ou agricultura também é um problema grave. Por fim, a especulação imobiliária e o crescimento urbano levam à construção de casas e aterros que destroem esses ecossistemas, resultando na perda de habitat e na degradação irreversível desses ambientes.”

Qual a representatividade da área de manguezal no município de Anchieta, considerando sua extensão territorial total, e qual a importância desse ecossistema para a região?

“O significativo manguezal de Anchieta, com sua área de 17.312.052,41 m², representa aproximadamente 4,23% da área territorial total do município, que é de 409,691 km² (ou 409.691.000 m²), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora essa porcentagem possa parecer modesta à primeira vista, ela evidencia a presença de um dos mais importantes e bem preservados ecossistemas de mangue do estado do Espírito Santo, concentrado principalmente ao longo do estuário do Rio Benevente.

A importância deste manguezal transcende sua extensão geográfica, desempenhando papéis cruciais tanto do ponto de vista ecológico quanto socioeconômico para a região de Anchieta.

Ecologicamente, o manguezal funciona como um berçário para uma vasta diversidade de espécies marinhas e estuarinas. Peixes, caranguejos, siris e camarões encontram em suas raízes e águas calmas o ambiente ideal para reprodução, desenvolvimento e proteção contra predadores. Essa função de “maternidade da vida marinha” é fundamental para a manutenção dos estoques pesqueiros em toda a costa adjacente. Além disso, a vegetação densa do mangue atua como um filtro natural, retendo sedimentos e poluentes, o que contribui para a qualidade da água. As árvores do mangue também são eficientes na captura de carbono da atmosfera, auxiliando na mitigação das mudanças climáticas, e protegem a linha costeira contra a erosão causada por marés e tempestades.”

O Fórum “Manguezal: Patrimônio Vivo” destaca-se como um passo importante para a conscientização e a busca por soluções que garantam a saúde e a preservação dos manguezais capixabas, ecossistemas essenciais para a biodiversidade e o bem-estar humano.

Dr. Marlon Carlos França durante o Fórum “Manguezal: Patrimônio Vivo” discute futuro dos ecossistemas no Espírito Santo

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