Autores
Victor Rocha Carvalho a, Adriana Leonhardt b, Felipe García-Rodríguez a c, Andreia Souza Pereira de Ávila b, Silvia Regina Bottezini b, Débora Pimentel Diniz d, Marlon Carlos França e, Paula Dentzien-Dias af
Resumo
As lagoas costeiras são ecossistemas cruciais que encapsulam longas histórias paleoclimáticas. Este estudo objetiva elucidar o papel dos eventos climáticos (secos e úmidos) e das flutuações do nível do mar no desenvolvimento da vegetação da Lagoa Garzón (Uruguai), ao longo dos últimos 3350 anos. Além disso, infere a influência dos impactos antrópicos nas alterações da paisagem florística nos séculos mais recentes
Utilizando análises de palinomorfos e datação por 14C e 210Pb de um testemunho sedimentar, o trabalho identifica as principais mudanças na paisagem:
- Período Inicial (3351 – 2345 anos cal AP): A lagoa era dominada por pântanos , com a codominância de ervas como Amaranthaceae (tolerante à salinidade, indicando flutuações do nível do mar) e Poaceae. As condições climáticas eram menos úmidas nos estágios iniciais do Holoceno Superior.
- Influência Marinha e Climática: Após 2345 anos cal AP, ocorreu um aumento na vegetação de água doce/pântano (como Cyperaceae) e uma redução na flora de pântano salgado, refletindo a regressão marinha e o fechamento parcial da barreira arenosa. Um aumento progressivo na umidade foi observado no último século.
- Impacto Antropogênico Recente (1841 – 2021 d.C.): A área sofreu intensa influência antrópica , visível pelas atividades de florestamento com espécies exóticas (Pinus spp.), que mostram um aumento significativo de pólen a partir de 1974. Essa intervenção humana, juntamente com a agricultura e o turismo , é associada às taxas de sedimentação mais elevadas observadas após 1990 , destacando o desafio de distinguir entre mudanças causadas pelo clima e as induzidas exclusivamente pelo homem.