Resumo
O objetivo deste trabalho foi utilizar a palinologia (análise de pólen) como uma ferramenta de rastreamento forense para identificar as mudanças temporais na vegetação na foz do Rio Jucu (Espírito Santo), no sudeste do Brasil.
Para a reconstituição da evolução ambiental, foi coletado um testemunho sedimentar de 190 cm de profundidade e analisado por meio de datação por ${}^{14}\text{C}$, análise sedimentar e palinologia. Os resultados revelaram a formação de quatro zonas distintas que descrevem a evolução da vegetação e as mudanças ambientais ao longo do tempo:
- Primeira Zona (Início da Sequência): Começou há mais de dois mil anos antes do presente (AP). Caracterizada por sedimentos arenosos, indicativos de um ambiente de alto fluxo de energia. A vegetação dominante era herbácea.
- Segunda e Terceira Zonas: Predominância de sedimento silte-arenoso. Evidência do estabelecimento do manguezal desde pelo menos ±2212 anos cal AP.
- Quarta Zona (Meio Século até o Presente): Marcada pela presença de sedimentos silto-argilosos e, novamente, pela predominância de vegetação herbácea.
Os resultados demonstram a alta aplicação da análise palinológica para descrever a sucessão da vegetação costeira e como ela é influenciada pela hidrodinâmica e pelas mudanças ambientais ao longo do tempo.