Vegetação do Holoceno e mudanças climáticas nas florestas tropicais costeiras da Nigéria

Autores

E.A. Orijemie, M.C. França, M.A. Sowunmi

Resumo

Este estudo apresenta um registro palinológico (pólen) e de carvão do Holoceno Médio e Superior da vegetação e das mudanças climáticas na floresta tropical da África Ocidental, com base em núcleos de sedimentos de quatro localidades no sudoeste da Nigéria (Ahanve, Ogudu, Otolu-Lekki e Ikorigho). O objetivo foi reconstruir a história da vegetação, inferir variabilidades climáticas passadas e verificar o impacto humano na paisagem.

Descobertas Chave do Holoceno:

  • Holoceno Médio (c.6600–5600 AP): Caracterizado por florestas tropicais diversas e extensas, incluindo floresta tropical de várzea, floresta de mangue e floresta de pântano de água doce. Essas condições são consistentes com a Fase Úmida Africana (AHP), com clima quente e úmido e altos níveis do mar.
  • Períodos Secos: Dois principais períodos secos foram identificados:
    1. O evento seco de c. 4200 anos AP, que resultou em uma redução da cobertura florestal e um aumento da vegetação de savana e gramíneas.
    2. O evento seco do Holoceno Superior (c. 2700–1700 AP), que causou o declínio do manguezal (MSF) e da floresta tropical de várzea (LRF).

Transição para o Antropoceno (Fase Histórica):

  • Influência Humana: Na fase histórica (Holoceno Final), ocorreu um novo conjunto de mudanças na vegetação: uma nova diminuição no MSF e LRF, e um aumento fenomenal em elementos de água doce, espécies de floresta secundária e ervas daninhas.
  • Ação Antrópica: Ao contrário da primeira parte do Holoceno Superior, onde as mudanças foram impulsionadas por fatores naturais e climáticos, a diminuição mais recente é atribuível à ação humana, incluindo desmatamento e dragagem.
  • Pólen Exótico: A presença de pólen de plantas exóticas de origem sul-americana, centro-americana e asiática em Otolu-Lekki indica um impacto antrópico recente sobre a vegetação, potencialmente ligado à história do comércio transatlântico.

O estudo conclui que o declínio observado na floresta de várzea e nos manguezais durante o Holoceno Superior na costa sudoeste da Nigéria foi inicialmente impulsionado pelo clima, mas depois exacerbado pela ação humana.

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